A FENASPS participou, nesta quarta-feira, 15 de fevereiro, de uma reunião presencial com o presidente interino do INSS, Glauco Wamburg, para apresentar as pautas dos trabalhadores e trabalhadoras do Seguro Social, conforme solicitado via ofício pela Federação. A Federação foi representada pelos diretores Viviane Peres, Cristiano Machado, Thaize Antunes, Daniel Emmanuel, Luciano Véras e pelo diretor do Sinsprev/SP, Rodrigo Bomfim. Após as apresentações iniciais, a FENASPS destrinchou os principais pontos de pauta da categoria, aproveitando o ensejo para entregar pessoalmente ao presidente da autarquia o dossiê com diagnóstico e propostas sobre o INSS. A FENASPS transmitiu ainda uma live na noite dessa quarta, 15, com uma análise preliminar do que foi discutido. Assista abaixo: Logo após a indicação do presidente interino do INSS, a FENASPS enviou ofício ao INSS para apresentar e solucionar as pautas de reivindicações dos servidores, bem como pautas emergenciais. Na audiência, os(as) representantes da Fenasps destacaram os problemas gerais do INSS; pontos pendentes do Acordo de Greve de 2022; pautas relacionadas às alterações do processo, gestão e controle do trabalho; os programas de Gestão; condições de trabalho e a crescente fila de processos que aguardam análise na autarquia. Dentre as pautas emergenciais foi elencada a manutenção da meta de pontuação de 4,27 pontos referentes aos programas de gestão, a manutenção de 6h (jornada de trabalho) + 1,22 pontos para os trabalhadores(as) que estão no atendimento presencial e o não desligamento dos(as) servidores(as) dos programas de gestão por não atingimento de metas. Essas pautas foram frutos do acordo da greve de 2022 e das negociações entabuladas no Comitê Permanente dos Processos de Trabalho, que garantiu por meio de portaria, até 28 de fevereiro de 2023, as pontuações, porém retirando a manutenção nos programas de gestão dos(as) servidores(as) que não atingirem as metas. Considerando que o Comitê Permanente não avançou nestas questões, por mais que houvesse apresentação de vários modelos possíveis de reestruturação do trabalho no INSS, como medida justa, os(as) representantes da FENASPS solicitaram edição de nova portaria prorrogando as medidas previstas no acordo de greve até que sejam discutidos no comitê os novos processos de trabalho. O presidente do INSS, por sua vez, informou que não tinha elementos para tomar uma decisão neste momento, considerando que fora recém nomeado para o cargo. Alegou a necessidade de se inteirar dos impactos da medida e se comprometeu em apresentar uma resposta no prazo de sete dias. Em relação às demais pautas, o presidente do Instituto se mostrou favorável, mas que este se trata de um novo governo, em processo de reestruturação e que se pauta pelo diálogo e construção democrática. Alegou que também faz parte da Carreira do Seguro Social, porém que no atual momento não teria condições de encaminhar as diversas pautas apresentadas, afirmando ainda que iria estudar o que foi apresentado pela federação. Neste ponto, em relação à integralização da GDASS ao Vencimento Básico (VB), afirmou que é um descalabro o vencimento básico da Carreira ser inferior ao salário mínimo. Cabe destacar que a integralização do VB é uma pauta específica do INSS, para fins de correção de uma distorção histórica do salário, não estando vinculada ao processo de negociação do reajuste dos federais construído em conjunto com o FONASEFE, com a participação da FENASPS. Sobre a pauta da Carreira Típica de Estado, o presidente afirmou que é sonho de todas as Carreiras do Serviço Público Federal serem reconhecidas como Carreira de Estado, com atribuições específicas sem correspondência no setor privado. Neste ponto, indicou que no caso do INSS isso se daria pelas definições de especificidades das funções do Seguro Social. Indicou que funções como o atendimento ao público poderiam ser feitas por meio de Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) e outros convênios, porém não deu nenhum indicador sobre como isso seria realizado. A Fenasps ressalta que o processo de valorização da Carreira não pode estar vinculado ao desvirtuamento das funções do INSS, com a terceirização indireta das atividades do Seguro Social via ACT. Esse processo já ocorreu no INSS: a terceirização nas Agências da Previdência Social (APS) que inicialmente seriam para atendimento, mas que com o passar do tempo passaram a executar a concessão do benefício. Foi justamente a luta contra a terceirização que levou ao concurso de 2003 e o fortalecimento da carreira posteriormente, com a contratação de trabalhadores e trabalhadoras por meio de concurso público. Não existe valorização de carreira com terceirização direta ou indireta, pelo contrário: a terceirização esvazia as funções, enfraquece a mobilização e prejudica a qualidade do serviço público. A FENASPS destacou que existem uma série de medidas que o INSS pode encaminhar diretamente pelo instituto, sem custos adicionais e que atenderia tanto à população como às pautas dos(as) servidores(as). Dentre elas, a prorrogação da manutenção de 4,27 pontos, o Comitê Gestor da Carreira, otimização da devolução dos descontos da greve de 2009, considerar a greve de 2022 compensada e a jornada de trabalho de 30 horas para todos(as) os(as) servidores(as) que atuam no atendimento presencial. Também foi exposta a necessidade de reestruturação dos serviços previdenciários (Serviço Social e Reabilitação Profissional), totalmente descontruídos nos últimos anos, com esvaziamento e direcionamentos técnicos equivocados. Foram relatadas situações de assédio da Gestão Técnica de várias superintendências aos trabalhadores(as) da Reabilitação Profissional para “dobrar” o número de atendimentos semanais, de forma impositiva e retirando a autonomia relativa das equipes, além de assédio para que os(as) trabalhadores(as) do Serviço Social atendam Reabilitação Profissional. Desprezando o objetivo central da Reabilitação Profissional, como “saída” para as listas de espera, a gestão técnica desse serviço previdenciário propõe um “pente-fino” na Reabilitação Profissional, no modelo do governo Temer e Bolsonaro, em vez de editar portaria prorrogando as Datas da Comprovação da Incapacidade (DCI) dos benefícios, considerando que os(as) segurados(as) e os trabalhadores(as) da reabilitação não têm culpa dos problemas estrutural da autarquia. Nesse sentido, foi solicitado edição de portaria com a prorrogação das datas de Comprovação da Incapacidade (DCI) dos benefícios, bem como que as equipes técnicas de forma imediata cessem o assédio aos trabalhadores(as) da Reabilitação. Nesse